Em uma votação que movimentou o cenário político em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (18), o PL Antifacções, por 370 votos a 110. O projeto equipara ações de facções criminosas — como PCC e Comando Vermelho — aos crimes de terrorismo, elevando o rigor penal contra integrantes e financiadores dessas organizações.
A proposta avançou mesmo após críticas públicas do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que classificou o texto como uma “lambança legislativa”, afirmando que a medida poderia atrapalhar investigações em andamento. Apesar da resistência do governo federal, o projeto recebeu apoio expressivo da oposição e de parte da base aliada, revelando um momento de isolamento do Palácio do Planalto no debate sobre segurança pública.
Pressão Popular e Manobra Legislativa
Enquanto o governo defendia ajustes técnicos no texto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, acelerou a votação. Para analistas políticos, o movimento entregou ao país uma resposta firme ao avanço do crime organizado — justamente no momento em que o discurso oficial do governo minimizava a gravidade da atuação das facções.
Agora, o PL segue para o Senado, onde o governo deve tentar reverter ou suavizar o texto. Nos bastidores, parlamentares aliados já tratam a derrota na Câmara como “histórica”, especialmente por ocorrer em uma área considerada altamente sensível para o eleitorado brasileiro: a segurança pública.


