“Não é justiça, é temeridade”, diz Queiroga sobre situação de Bolsonaro

O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga publicou um artigo no qual manifesta preocupação com as condições às quais o ex-presidente Jair Bolsonaro vem sendo submetido, tanto no campo jurídico quanto no clínico. Segundo ele, além das controvérsias sobre o julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), há riscos reais à saúde de Bolsonaro, que possui um histórico médico complexo desde o atentado sofrido em 2018.

Queiroga destaca que Bolsonaro passou por múltiplas cirurgias abdominais, enfrenta sequelas permanentes, episódios de obstrução intestinal, hérnias incisionais e, mais recentemente, um quadro de soluço crônico refratário ao tratamento. De acordo com o ex-ministro, essa condição pode elevar a pressão intra-abdominal, favorecer novas hérnias e aumentar o risco de broncoaspiração — problema que já levou o ex-presidente a quadros de pneumonia aspirativa.

O artigo também chama atenção para distúrbios do sono associados a maior risco cardiovascular, especialmente em pacientes idosos com doença aterosclerótica, como é o caso de Bolsonaro. Com base em estudos científicos internacionais, Queiroga afirma que a combinação de idade, comorbidades, histórico respiratório e estresse fisiológico amplia o risco de eventos graves, como pneumonia e morte súbita.

Ao final, o ex-ministro ressalta que não é médico assistente do ex-presidente e que suas análises se baseiam em informações públicas e literatura médica. Ainda assim, faz um alerta direto: submeter Jair Bolsonaro a condições inadequadas de custódia não é apenas juridicamente controverso, mas clinicamente perigoso. Para Queiroga, o mínimo esperado é que o ex-presidente receba o mesmo tratamento e garantias assegurados a outros ex-chefes de Estado, com respeito à dignidade humana e ao direito à saúde.

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