Por:Juliana Veloso
Quando se fala em turismo de serra na Paraíba, é impossível ignorar o papel histórico de Areia. Muito antes de o Brejo paraibano ganhar a projeção regional que possui hoje, Areia já mostrava que era possível construir um destino turístico baseado na cultura, na história, na música, no patrimônio e na experiência. Em uma época em que o turismo estadual girava quase exclusivamente entre o litoral e Campina Grande, o município abriu um novo caminho.
Não por acaso, o Caminhos do Frio completa duas décadas iniciando a sua rota na cidade. O festival ajudou a consolidar um modelo de desenvolvimento que inspirou outras cidades do Brejo. Durante vinte anos, Areia reuniu visitantes em torno de sua arquitetura preservada, dos engenhos, da tradição cultural, da música e da identidade serrana, tornando-se uma referência de desenvolvimento para toda a região.
Esse protagonismo também se apoia em outro patrimônio importante: a educação. A cidade abriga um dos campi mais tradicionais da Paraíba, fator que amplia sua relevância econômica, cultural e intelectual muito além do turismo.
Mas aniversários importantes também convidam à reflexão. Se há vinte anos Areia ensinou ao Brejo como transformar patrimônio em experiência turística, hoje o mercado exige uma nova rodada de inovação. Bananeiras, por exemplo, consolidou um forte ecossistema de gastronomia, hospedagem e empreendimentos imobiliários de luxo, voltados ao turismo de experiência. Esse movimento torna a concorrência regional mais qualificada e, ao mesmo tempo, mais exigente.
A boa notícia é que a cidade não precisa reinventar sua identidade. Ela já possui aquilo que muitos destinos procuram construir: autenticidade, história, patrimônio e reconhecimento.
O desafio agora talvez seja outro: transformar esse legado em novas experiências capazes de encantar uma nova geração de visitantes.


