Empresários alertam para riscos do fim da escala 6×1 na economia da Paraíba

Artigo do Farol de Desenvolvimento da Paraíba aponta ameaça a empregos, aumento de custos e cobra debate técnico

O Farol de Desenvolvimento da Paraíba, grupo que reúne empresários e especialistas do setor produtivo, divulgou um Artigo de Opinião alertando para os impactos econômicos do possível fim da escala de trabalho 6×1, tema que vem ganhando espaço no Congresso Nacional e nas redes sociais.

De acordo com o documento, o debate tem avançado sem o rigor técnico necessário. O grupo destaca que alterações na jornada de trabalho afetam diretamente produtividade, custos operacionais, preços ao consumidor e a geração de empregos, especialmente em estados com características econômicas mais sensíveis, como a Paraíba.

Sob a presidência de José Carneiro de Carvalho Neto, o Farol ressalta que os setores diretamente impactados pela proposta representam cerca de 90% do PIB privado do estado. Apenas o setor de Serviços, que engloba turismo, comércio e atividades tecnológicas, responde por aproximadamente 70% da economia paraibana.

Em um dos trechos do artigo, o grupo faz um alerta direto sobre os efeitos da redução da escala sem ganho de eficiência:

“A redução da escala sem aumento de eficiência gera um choque inflacionário imediato, elevando os custos da folha de pagamento em até 25%.”

Segundo o Farol, esse aumento tende a ser repassado ao consumidor final, impactando condomínios, mensalidades escolares e preços de bares e restaurantes, setores fortemente presentes na economia da capital João Pessoa.

Artigo de Opinião do Farol de Desenvolvimento da Paraíba

Artigo de Opinião do Farol de Desenvolvimento da Paraíba

Construção civil e varejo sob risco

O artigo também chama atenção para os impactos na Construção Civil, apontada como um dos principais motores econômicos da cidade. Dados citados indicam que a mudança abrupta na escala pode provocar perda de produtividade, aumento do custo das obras e desaceleração de novos lançamentos imobiliários.

No varejo, maior empregador formal do país, o cenário é considerado ainda mais delicado. Com margens líquidas que variam entre 2% e 5%, o setor não teria capacidade de absorver aumentos significativos nos custos trabalhistas. O risco, segundo o Farol, é a redução de vagas formais e o avanço da informalidade.

Defesa da negociação coletiva

Para o presidente do Farol de Desenvolvimento da Paraíba, José Carneiro de Carvalho Neto, qualquer modernização das relações de trabalho deve ocorrer por meio da negociação coletiva, conforme previsto na Reforma Trabalhista de 2017, e não por imposições legais sem análise técnica aprofundada.

O artigo conclui com um alerta enfático:

“Sem empresas viáveis, não há escala reduzida; há desemprego.”

Ao final, o Farol conclama parlamentares, incluindo o deputado Hugo Motta, a retirarem a proposta da pauta imediata e a promoverem um fórum técnico nacional, que leve em consideração produtividade, realidade regional e sustentabilidade econômica.

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